Empilhar paletes mistos é um dos maiores desafios operacionais em armazéns e centros de distribuição.
Diferente de uma carga homogênea, em que todos os volumes têm o mesmo formato e peso, o palete misto reúne produtos de diversos tipos, tamanhos e densidades.
Entenda o que são paletes mistos, quais são os tipos de empilhamento, as técnicas de paletização mais adequadas, a legislação aplicável e, principalmente, como empilhar paletes mistos com segurança no armazém.
O que são paletes mistos?
Um palete misto é uma unidade de carga composta por dois ou mais tipos de produtos diferentes, em quantidades que também podem variar entre si.
No caso, um único palete pode conter caixas de sabão em pó, latas de conserva e garrafas de refrigerante — itens com pesos, dimensões e fragilidades completamente distintas.
Em sistemas de gestão de armazém (WMS), as unidades de armazém podem ser classificadas como homogêneas (um só material) ou mistas (dois ou mais materiais), e os paletes mistos são movimentados como uma unidade individual.
Isso traz vantagens como:
- Redução do número de paletes em circulação;
- Otimização do transporte e do espaço de armazenagem;
- Atendimento mais eficiente a pedidos com múltiplos SKUs.
Por outro lado, o palete misto exige cuidados extras: a base precisa ser sólida, os produtos mais pesados devem ficar embaixo, e a fixação da carga é indispensável para evitar tombamentos.
Quantos paletes podem ser empilhados?
Não existe um número universal de paletes que podem ser empilhados. A altura máxima depende de:
- Capacidade estrutural do palete (madeira, plástico ou metal);
- Resistência das embalagens empilhadas;
- Peso total da carga;
- Tipo de equipamento de movimentação disponível;
- Normas de segurança aplicáveis.
Para paletes vazios, o limite costuma ser definido pelo fabricante. Já em armazéns com porta-paletes, a altura de armazenagem raramente ultrapassa 2,5 m para cargas paletizadas.
Quais são os tipos de empilhamento?
Os tipos de empilhamento definem como os volumes são organizados dentro do palete. Os principais são: em blocos, alternados, em tijolo, dividido, em cata-vento, em coluna e cruzado.
Empilhamento em blocos
Todos os itens são organizados na mesma direção, nível após nível. É um padrão simples, mas com alto risco de colapso se a carga não for bem fixada, exige amarração com arame ou fita.
Empilhamento alternado
A direção dos itens é alterada em 90° a cada nível. É ideal para paletes quadrados e ajuda a evitar o colapso da carga, além de simplificar o processo de empilhamento.
Empilhamento em tijolo
Cada nível tem a mesma organização, mas a direção é invertida em 180° a cada camada, criando um entrelaçamento vertical e horizontal que aumenta a estabilidade.
Empilhamento dividido
Semelhante ao empilhamento em tijolo, mas com espaços abertos entre os itens devido às formas irregulares das embalagens.
Empilhamento em cata-vento
Os itens são dispostos em forma de cata-vento, com direção oposta a cada nível. É usado para carregar itens não quadrados em paletes quadrados.
Empilhamento colunar (ou em coluna)
As caixas são posicionadas exatamente uma sobre a outra, com as arestas verticais alinhadas. Favorece a resistência vertical e é ideal para embalagens de papelão ondulado.
Empilhamento cruzado
As camadas são intercaladas, melhorando a estabilidade lateral. Exige embalagens mais resistentes, pois a distribuição de peso não é uniforme.
Qual é a norma para empilhamento de paletes?
No Brasil, as principais normas que regulamentam o empilhamento e a armazenagem de paletes são:
NR 11: Transporte, Movimentação, Armazenagem e Manuseio de Materiais
Estabelece que o peso do material armazenado não pode exceder a capacidade de carga do piso, e que o material empilhado deve ficar afastado das estruturas laterais do prédio a uma distância mínima de 0,50 m.
ABNT NBR 17150
Norma técnica brasileira que define as regras de projeto e segurança para estruturas porta-paletes.
Substituiu a antiga NBR 15524 e está dividida em duas partes: uma focada nos cálculos estruturais e outra nas folgas e distâncias para operação de empilhadeiras.
ABNT NBR 8338 e NBR 8340
Especificam ensaios de resistência à flexão e ao impacto de paletes, respectivamente.
Normas internacionais de referência
- UNE-EN 12845: limita a altura máxima de armazenamento em bloco a 7,60 m;
- EN 15635: diretriz europeia complementar para inspeção de porta-paletes.
Como empilhar paletes mistos com segurança no armazém?
Comece inspecionando os paletes, verifique se há rachaduras, deformações ou outros defeitos. Agrupe paletes do mesmo tipo e tamanho para criar pilhas mais uniformes.
Depois organize as caixas por tamanho, colocando as maiores na base e as menores no topo. As mais pesadas devem sempre ficar no fundo.
Quando começar a empilhar, certifique-se de que a primeira camada esteja uniformemente colocada e alinhada em todas as extremidades do palete. Isso fornecerá uma base estável para o restante da carga.
Quando a base estiver pronta, empilhe as caixas maiores em camadas iguais. Alinhe as extremidades das caixas com as caixas adjacentes para maximizar a estabilidade.
Se houver espaços entre as caixas, utilize enchimentos como plástico-bolha ou papelão para garantir que a carga fique apertada e não se mova durante o transporte.
Lembrando de nunca ultrapassar a altura máxima recomendada pelo fabricante do palete e pelas normas de segurança. Para empilhamento manual, mantenha a pilha abaixo da altura do peito (cerca de 1,50 m).
Para a próxima etapa, envolva o palete e a carga com filme stretch da base ao topo, aplique cintas perpendiculares e etiquete todos os lado, para evitar que a carga tombe ou seja danificada durante o transporte.
Nunca empilhe ou arraste paletes manualmente. Use paleteiras ou empilhadeiras para reposicionar os paletes. Um colaborador não deve empilhar manualmente mais de seis paletes de altura nem desempilhar de mais de nove.
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